segunda-feira, 18 de agosto de 2014

As coisas que fazemos e as que deixamos por fazer

a pair of pears


Tenho sempre uma lista mental de coisas que quero fazer: a bainha aos cortinados da sala, a almofada em crochet para o sofá, a arrumação e limpeza da despensa e podia ficar nisto o resto do dia. Mas quando penso no que fiz ontem à noite, sendo que acabei de jantar cedo e tive umas duas horinhas antes de ir dormir detecto que não risquei nenhum dos items da minha lista, pelo contrário estive a navegar na internet e a ver um episódio do Blue Bloods online..

Gostava de descobrir que mecanismo psicológico é esse que, sabendo de antemão que me vou sentir super realizada por riscar uma daquelas linhas da lista interminável, me impede de o fazer, desmotivando-me até e focando toda a minha atenção em actividades fúteis e que em nada me realizam.

Talvez seja uma fase, talvez seja a correria do dia-a-dia que nos atira para o sofá na ânsia de parar e reagrupar, mas na verdade, não é no sofá nem no pinterest que conseguimos reorganizar os nossos afazeres, nem encontrar um sentido para o corre-corre.

E as coisas que ficam feitas são aquelas que perduram daquilo que nós somos, são a nossa marca. As que não fazemos não se vão materializar por magia, vão simplesmente ficar por fazer.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Diário de Graças

My Little Fabric





Enquanto crescemos metem-nos na cabeça que temos de ser os melhores: os mais aplicados, os mais corajosos, os mais criativos. Se não for pelo espírito competitivo é por causa da realização pessoal. Somos mais realizados se trabalharmos para a perfeição. Mas este mote, se não for bem equilibrado, cria-nos dificuldades acrescidas ao lidar com as dificuldades e os falhanços.
Sei que não estou sozinha nisto. Temos dificuldade em dedicar-nos a projectos em matérias que não dominamos. Lidamos mal com a rejeição. O receio de não sermos óptimos, ou mesmo os melhores,  impedem-nos de sequer começar. Isto está muito ligado às questões da auto-estima e funciona como um círculo vicioso: dificuldade em aceitar as nossas próprias limitações conduz a empreendimentos mal acabados que nos tornam infelizes, que por sua vez nos bloqueiam a vontade de prosseguir..

Aquela que me aparece como a solução mais simples, e que, tijolo a tijolo, tem mais hipóteses de sucesso é a de trabalharmos a gratidão. Sermos gratos pelo que somos e pelo que alcançámos faz-nos sentir bem e funciona como um reforço da auto-estima. Sentimo-nos mais realizados, mais fortes, mais felizes.
Como muitas outras coisas, a gratidão não nos é natural, pelo menos para muitos de nós - os menos treinados. Mas há múltiplas formas de desenvolvermos esse músculo e assim fazermos de nós pessoas mais felizes.

Há quem faça depósitos das coisas pelas quais estão gratos, quem o partilhe publicamente, e quem tenha um diário de graças. Eu vou começar um diário assim, onde escreverei em poucas palavras - ou muitas, o diário é meu! - as coisas boas de cada dia. Não quero que seja um exercício de escrita, apenas e só um rol de tudo aquilo pelo que sou grata, uma espécie de oração.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

É urgente escrever *

little hannah















Preciso de escrever. Preciso de soltar as muitas ideias que me enchem a cabeça, de verbalizar emoções e angústias, de destralhar o meu cérebro. Quando tento parar para pensar não páro: sinto-me como a página principal do pinterest: tah, tah, tah, ideias em catadupa.



Escrever exorciza os nossos fantasmas [clichet literário n.º 1] e é disso que eu preciso para daqui a uns tempos aspirar a ter as minhas ideias organizadas como um diário de uma rapariga criativa de 15 anos: letra bem desenhada, pequenas memórias coladas e washi tape a condizer.



Definir as minhas prioridades, para me conseguir dedicar de alma e coração ao que realmente é mais importante para mim.
Se escrever é o único caminho? De certeza que não, mas para mim, para além de um caminho é um desafio. Tenho dificuldade em passar para o papel, raramente fico satisfeita com o produto acabado, para começar é uma epopeia mas também por isso ou especialmente por esse motivo vai ser tão estimulante pôr por escrito.





*totalmente inspirada por Eugénio de Andrade:

É urgente o amor
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.